domingo, 30 de agosto de 2009

Domingo

Durmo às quatro e meia, então, mas me deixa, me deixa viver de madrugada, me deixa na insônia, sonso, quero te perder, quero te deixar, quero ir pra longe ou pra lugar algum. Agora já é tarde, quero esperar o sábado, pra acordar às seis, tomar um banho e sair pra beber às oito, ok, tudo bem, não me venha com falso-moralismo, eu não quero moralismo, princípios ou qualquer coisa do tipo, eu quero, meu bem, quero sair pra ser feliz independente da hora, se sou feliz às três, de que importa o meio-dia? Não sei quase nada, quem pensa que sabe não sabe mesmo, tanta coisa pra aprender por aí, vou é aprender a ser, vou aprender a gostar de quem não gosto, já que dizem que isso é tão importante. Tomo outro gole, toma outro também, me acompanha, já tô na última garrafa e não tenho planos pra amanhã. Eu sei que meus pais não devem estar orgulhosos, fazer o quê, não se pode agradar a todo mundo, mas eu tentei, tentei ser algo que não queria e não deu certo, logo veio a depressão dobrada, a conta da farmácia estourada, meus dedos já nem sabendo onde teclam mais. Que coisa, hein, quando a gente é criança sonha um monte, daí cresce e encara a vida de fato e vê que esse mundinho não é pra qualquer um. Às vezes eu preferiria fazer algo comum, sei lá, um curso qualquer que me desse dinheiro no final do mês, algo que desse orgulho pros meus parentes, mas e daí, quem são eles pra me julgar? Nem falo da sexualidade, desculpa, eles ainda nem chegaram no Kinsey, então não dá pra discutir qualquer coisa que eles já chegam rotulando. Vou pegar carona, sempre quis me jogar em qualquer carro e partir pra lugar nenhum. Eu idealizei tanto, sabe? Não deu nada certo, minhas linhas saíram errado, meus princípios se desacostumaram, meus caminhos já se cruzam tanto que nem sei mais. Cansei de lavar a louça, eu que crio tanto, que tento inventar de tudo, posso até pintar, cantar, dançar, atuar, mas não adianta, não tem lugar, cultura não é dinheiro. Nos resta um plano B, um desvio no curso do caminho pra que a gente consiga pagar a aluguel do apartamentinho dois quartos no final do mês. Mas e aí, qual é o nosso plano B? Fazer evento, dar aula de inglês, vender cadarços no parque? Por mim pode ser qualquer coisa que não me faça entrar numa rotina desgraçada dentro de um escritório cheio de gente mau-humorada, aquelas repartições com papéis empilhados em cima de todas as mesas onde estão sentadas criaturas que odeiam a vida por aceitarem fácil demais qualquer coisa imposta a elas. A verdade é que já são cinco horas da manhã e tá me dando um sono e um tédio de só ficar reclamando e reclamando e não partir pra ação. Amanha é segunda-feira, prometi acordar cedo e ver se paro de trocar a noite pelo dia – a Veja me disse que faz mal. Mente cansada, imersa em pensamentos de desgosto, vou deitar pra ver se consigo sonhar com pôneis voadores que vêm me salvar de tudo isso. Ao menos me satisfaço por seis horas.

*nem sei se alguem le isso aqui, mas, mesmo assim, sorry pela ausencia de postagens. me mudei. vida tomando seu rumo, enfim. beijos e uma semana diferente das outras.

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