segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Paranóia
Ela senta no banquinho do balcão e pensa - Eu juro que vi alguma coisa que não vi. Hm, talvez depois da mais um copo eu me lembre mais. Não sei, vamos lá, tentar entrar de cabeça nesse ritual lisérgico. Já que tão me olhando. Tão me olhando. Tão me olhando. Poutz, deve ser pra mim. Sim, porque o olhar veio bem aqui, atingiu a cintura e depois riu, numa explosão de raios que atingiram a todos, a ninguém, a mim. Será que foi a bolsa?,Não, foi o vestido. Exagerei. Devia ter seguida a opinião new-old da minha mãe e ter colocado preto. Tudo vai bem com preto, tudo fica bem com preto, é discreto, te distrai, enquanto eu fico só na espionagem. Vermelho não fez bem, quando eu falei com o cara na copa, bem que eu senti uma certa desaprovação em relação ao vermelho, como que dizendo, só queria te comer vadia, provocou com a cor cadela, quando na verdade eu só queria era sair da rotina das mesmas roupas e usar uma cor não-habitual pra ver qual seria a sensação da noite. Mas não cheguei a uma conclusão feliz. Devia ter partido pro preto outra vez. Deve ter sido por isso que a mãe deu um ‘tchau, boa festa’ meio xoxo. Ela devia ter ficado brava comigo, achar que eu esnobei a opinião de pessoa-mais-experiente e quis seguir uma linha de pensamento que seja parecido ao dos jovens-super-cools que adoram esnobar. Foi isso, daí ela ficou preocupada, e, ao invés de dar tchau direito ela utilizou 90% dos pensamentos dela no fato de eu estar saindo de casa, com não-sei-quem, indo pra não-sei-onde encontrar pessoas que sei-lá-quem-são-porra. Coitada, ela sempre me deu tudo, e eu tratando ela assim. Devia ir pra casa. Definitivamente eu devia sair daqui, pegar um táxi e pular na cama dizendo bom dia mamãe e fazer as pazes e uma jura de amor eterno. Táxi, táxi. Essa hora deve ser perigoso. Mas como eu volto, então? Ninguém daria carona pra uma mulher de vestido vermelho. Se fosse preto, dariam certo. O que fazer, não sei, pensa pensa pensa pensa pensa, não me ocorreu nada, vou pro táxi, se for assaltada, foda-se. Nem tenho nada de valor aqui comigo. O problema seria perder os contatos do celular. Apesar de que hoje em dia é tão fácil de achar alguém em qualquer porra de rede de relacionamento que contato virou quase telepático. Parou um táxi aqui na frente, vou sair rápido, espera, espera, telepatia, espera, ótimo, parou ali, deixa eu correr pra porta, não quebra o salto, não quebra o salto, abre a porta, foda-se a gripe A, entra, senta, é velho tarado, é velho tarado, ai, ai, ai, merda, tenho que falar o endereço, por que caminho seguir, será que ele vai passar o calote em mim, vou fazer pose de gente da capital, falar sem sotaque, se não é tiro e queda no engano, ele ta olhando, vai, fala, vaaaaaaaaaaaaaaai – Ali na Travessa com a Avenida, por favor – disse ela.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário