quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Retorno

Pensa no sabor que sentiria se pudesse sentir aquele gosto de novo. Não quer? Quer sim, vai lá. Pede pra voltar no tempo e reabre o parênteses inacabado, fecha essa janela que te incomoda mais e mais e mais e mais, que te atormenta, resolve de uma vez, deixa de covardia. Não sinto mais vontade, mas se sentisse, faria o mesmo, ia lá, enfrentaria tudo na cara, no peito, mandava bater de frente, que eu posso, que eu podia, que eu não quero mais poder. Não tenho poder. Mas tu tem, usa o poder que te deram, se não vão te tirar na próxima, volta lá pra sentir aquilo tudo que fez tu subir pro paraíso em micro-instantes, deixa aquilo penetrar de novo em cada átomo-célula-tecido-órgão-membro do teu corpo, deixa reverberar, toma outra dose, deixa de novo, volta, volta melhor. Volta diferente, de novo, tu sente? Digo, consegue sentir? Eu sinto, sinto, sinto muito não poder explicar, mostrar, mas te digo pra ir lá, correr atrás, voltar, fazer tudo de novo. Não perde tempo. No fim da vida não se pode perder tempo. Até porque, o tempo não pensa mais na gente. Ele tá perdido por aí, querendo fazer mais gente entrar na dele. Não entra. Te digo: não entra. Depois não tem mais volta. Ele te engole, pra sempre, e não te cospe de novo, não. O tempo é cruel. Porque ele não sente gosto. De nada. Mas tu sim. Não pensa muito pra não acabar que nem eu. Só vai. Vai. Mas depois volta pra me contar como foi.

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