O meu, não foi aquele qualquer. O meu tinha que ser diferente. Mamãe diz que sou especial. Aham. Todos nós somos. E se todos nós somos, ninguém é. Ah, eu posso até enxergar aquela janela se abrindo e de dentro saindo aquela coisa estranha com asas de plástico que nem sabia voar. Eu percebi, percebi sim que elas não eram de verdade. Mas ninguém nunca acredita em mentirosos. Ninguém acredita nas mentiras que eu conto fingindo ser verdade e dizendo que não passa de uma mentira pra depois dizer adeus. De todas as coisas juntas, ao mesmo tempo, estocadas dentro de uma gaveta e ficar por ali, apenas observando as pessoas sussurrarem ao meu redor porque não encontraram a chave no lugar que deveria estar. É porque eu trouxe junto. Eu trouxe a chave junto pra que ninguém pudesse abrir esse cubículo no qual eu me deprimo e passo o tempo a saborear a escuridão e o vazio. Deixa eu ver uma coisa: deixa eu deixar pra lá todo o resto e, nossa, como é que eu vou sair daqui afinal? Sei lá, talvez nem seja preciso sair. Talvez eu fiquei mais duas ou três eternidades ou espere passar por aqui qualquer resquício de solidariedade que me ajude a enfrentar os problemas que me engavetaram. Foge daqui. Foge antes que te peguem de novo e te façam espetar um coração vazio pra ver o que tem dentro. Eu nunca passei pela frente de uma gaveta vazia. Porque eu tinha medo de entrar e não sair mais. Mas acontece que abriram de propósito. De propósito, bem na hora que eu estava passando. E eu não resisti.
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