Não vou te pedir pra ficar por mais uma noite, não insisto, já que insistir é coisa de desesperado, eu prefiro ficar mergulhado na solidão a ter que te implorar para que consuma mais um pedaço de mim. Não vou te ligar depois, pra garantir vou te apagar de todas as agendas telefônicas, do meu celular, do meu computador, da minha existência. Eu sei que você não quer, isso a gente nota. Sei que foi pura consumação de prazer, sei que não existe mais nada que eu possa te oferecer, a não ser entretenimento de uma só noite. Não sou perfeito, nem você, nem nossa relação imaginária que se desfaz a cada contorno de suspiro executado, não foi minha culpa, eu sei, nem sua, foi culpa do mundo, sei lá, do governo, do capitalismo, do socialismo, do panaca que atendeu a gente no supermercado. Mau-humor nada, é sentimento, é falta, é vazio interno que precisa ser preenchido de qualquer forma, qualquer não, mas de alguma forma, intensa, com força e carinho. É, o álcool costuma fazer isso, deixa as pessoas mais bonitas, desejadas, transforma qualquer indivíduo em um pedaço de carne exposto no mais vagabundo dos açougues, mas eu te digo, não sou um pedaço de carne, sou mais que isso. Não sei o que sou, se soubesse te diria, não quero te obrigar a ficar aqui sem saber o que fazer, não quero que você se embriague mais uma vez pra poder me encarar de verdade, de fato, me assume, não tiro pedaço, não corto você em pedaços pra depois digerir nas minhas fantasias e era-só-isso. Vai lá pensar na vida, já que não sou sua vida, eu até queria ser, mas não desse jeito, não, já deixei muito babaca de boca aberta com meu desempenho nas situações, não só sexuais, eu sei que tu não pensa em outra coisa, mas não, eu me saio bem em qualquer sopro de vida que tenha que engolir. Te ajudaria, te trataria com carinho, te mostraria o lado bom de não se sentir só, o lado bom do desabandono, quero me entrelaçar a ti, unir nossas vontades e fazer disso um só propósito. Não quero não, desisto, tu merece ficar sozinho e eu também, não quero namorado só pra dizer que tenho, só pra exibir pros amigos como uma peça de roupa nova que acabei de comprar no shopping mais caro dessa cidade amena. Não vou te considerar como objeto, já que tu é gente, carne, não de açougue, é carne humana recheada de carências e incompreensões. Não vou me machucar, prometo, tu não merece, eu não mereço, ninguém merece nada, vou colocar uma calça e sair pra correr, preciso de endorfina, anfetamina, serotonina, cafeína, ritalina, venlafaxina, fluoxetina, preciso me curar dentro de uma embalagem metálica que eu posso comprar em qualquer farmácia. Foi bom pra ti? Pra mim foi. Me liga qualquer dia, tá. Se eu estiver sozinha podemos repetir a dose. Prometo me curar desse exagero e daí podemos, quem sabe, nos entender de verdade.
*independência o caralho.
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